conexões saudáveis

Possibilidades de Conexões Saudáveis  –  Marisa Duarte

A palavra conexão tem andado conosco desde o início do Encontros e Caminhos. Iniciamos o site por termos histórias que ao longo da vida foram se conectando e por um desejo de que outras mulheres se conectassem a nós e umas às outras com suas histórias de vida. Começamos, então, a estudar Henri Nouwen, que traz em seus escritos inúmeras vezes a palavra Conexão e desenvolve esse tema.
A vida é feita de conexões e também de possibilidades. Então pensei nos nossos começos, no início da nossa história, em como a gente se constitui. Não são pensamentos fáceis de se ter… As nossas primeiras conexões não foram feitas por nós mesmas! Elas foram feitas para nós por alguém, por um outro: nossos pais, cuidadores e outros envolvidos… E esse alguém fez como podia e como sabia e, talvez não soube ou não pode possibilitar conexões saudáveis, não soube abrir portas, não soube nos apresentar a vida ou nos apresentar para a vida da melhor maneira.
Temos duas situações que acontecem ainda no útero: uma delas é que lá estávamos conectadas, nutridas, protegidas, alimentadas, aquecidas, embaladas, carregadas e de repente através de um evento chamado parto, perdemos tudo isso. Fomos desconectadas. Nascemos. Tivemos aí nosso primeiro rompimento. E a outra é que quando estávamos nesse lugar, muitas expectativas foram construídas pelos nossos progenitores, desejos foram acalentados e palavras foram ditas a nós ou sobre nós. Que palavras foram essas, que desejos, que expectativas? Muitas delas trouxeram possibilidades de vida, muitas trouxeram peso para a vida…
Podemos pensar no nosso nome: ele foi escolhido para nós… mas, por qual motivo? porque era o nome da avó, mãe, da tia. E esse nome carrega um significado em si mesmo e também o motivo da escolha. E tem também as palavras como: “Ela é uma benção… tão quietinha”… “ela é tão desorientada… parece com a avó…” “Ela é tão responsável… nasceu pra cuidar de mim ou dos irmãos…” “Eu não queria essa gravidez…Isso foi um acidente” “oh! é uma menina…” de novo… ou desejos: “quando ela crescer vai ser professora…aquela que eu não fui…como eu vou ficar orgulhosa dela!” …”Homem nenhum presta…não dependa deles”
Então, além de termos perdido nossa conexão do útero, ainda carregamos expectativas, desejos, sonhos e palavras dos nossos progenitores que esperavam e ainda esperam que realizemos. E assim vamos crescendo… E partindo disso, duas situações possivelmente acontecem: Uma delas é que por causa de termos perdido nossa conexão inicial, passamos a vida tentando possibilidades de nos reconectar, buscamos abraços, carinho, nutrição, embalo, segurança, queremos aquele lugar de volta. Como é bom! Como conforta! Pequenas amostras. Buscamos conexões, buscamos voltar para o útero, para o lugar de proteção, do aconchego, buscamos mais ainda, buscamos voltar pra aquele lugar antes do pecado, a conexão perdida lá no Éden. E a outra é que passamos a cumprir os “mandatos” que nos foram dados. Mandatos são essas palavras ditas e as não ditas, os comportamentos, os desejos, as expectativas dos nossos progenitores/pais/cuidadores, sonhos deles e que projetaram em nós… e que vamos cumprindo pela vida afora sem nos darmos conta disso e ficamos amarrados a eles. E, por vezes, passamos a vida sem viver a nossa própria vida, sem explorar nossas próprias possibilidades.
Eles não tem consciência da maior parte do que fizeram ou falaram e nós não temos consciência da maioria desses Mandatos. Talvez a gente não lembre (ou lembre) de ter ouvido: “É igualzinha ao pai essa menina…oh gênio ruim!”. Eles são inconscientes, mas para quem ouviu, ficou gravado em lugares profundos e influenciam. E isso foi sendo reforçado em nós quando criança à medida que fomos crescendo: a criança pode ser ignorada, desprezada ou ouve: “Boa menina! Papai do céu gosta de menina comportada!”… “Que coisa feia! Não pode brigar! Deus fica triste.” …“Seja boazinha! A mamãe é tão doente, precisa tanto de você! Não saia de perto de mim.” …“Você é burra! Não ouve nada que te falo! É surda? Não te aguento, vai viver com seu pai.”… “Você não presta!”
E a gente vai então tentando responder a essas expectativas. E vai se adaptando e depois, ao crescer, procuramos ambientes semelhantes ao da nossa infância, porque isso nos alimenta e buscamos relacionamentos que se complementam, se encaixam. Por vezes enfrentamos problemas com as conexões… fazemos acordos e não nos desvencilhamos deles… somos adultas, mas não sabemos quem somos, desenvolvemos a vida, mas parece que não é a nossa, ficamos presas lá atrás, não rompemos, não saímos da “caixa”, continuamos meninas ou famintas…
Temos, então, com duas realidades diante de nós. Duas situações lá do início: desconexão e expectativas/palavras/sonhos/desejos dos pais/cuidadores e que trouxeram consequências sobre a nossa vida: busca por reconexão e cumprimento de mandatos.
Meu convite é que você busque um novo olhar sobre isso, sobre o seu passado e decida por uma nova postura no seu presente.
Toda impossibilidade de conexão foi quebrada na cruz e é quebrada na nossa vida no encontro com o Cristo crucificado: seja impossibilidades de conexão com Ele, conosco mesmas e com os outros. Ao abraçar o Cristo ressurreto nós somos reconectadas ao Pai. Essa verdade é capaz de nos fazer livres do peso do nosso passado – esse se torna apenas um lugar de referência e não mais de residência. É possível sermos livres para cumprir ou não os mandatos que estão sobre nós. Cristo veio para nos libertar e apontar um novo caminho…E aqui nesse lugar, o lugar da cruz e da ressurreição, reside todas as Sementes da Esperança. Elas estão todas disponíveis para nós. Deus as disponibilizou. Porém elas são SEMENTES e são SUAS. Não há um fazer, tudo já foi feito – Está consumado! Mas há um processo a ser assumido e vivido. A verdade da cruz e da ressurreição tem o poder de suplantar nossas realidades. Mas é preciso abraçar isso. Sem medo? Não! Com medo, mas com coragem! O medo a gente enfrenta.
Falar de semente fala de um lugar onde reside todo um potencial, toda uma possibilidade, todo “um vir-a-ser”. Falar que essas sementes são SUAS nos lembra que tomar as rédeas da sua vida depois de estar conectada ao Pai, depende de você, trabalhar com essas sementes, depende de você. O Espírito Santo busca útero esvaziado para se conectar às Sementes da Esperança. Vazio não é no sentido de não ter nada, mas no sentido de ser livre para abraçar o novo, no sentido de estar suprido, embalado, protegido, nutrido, com o espaço preparado para ser ocupado, pronto para acolher a semente. Tem espaço a ser preenchido, mas não está vazio. O útero quando vai receber o esperma, ele não está vazio: no útero tem sangue, tem placenta, vasos, músculos… e se faltar algum desses elementos, a conexão ou a gestação vai ter problema…mas também pode ter algo a mais que impeça a conexão…ele pode ter um mioma…Tanto o que falta quanto o conteúdo, podem ser empecilho para receber o novo.
Então esse é o processo que eu preciso viver após a conexão com o Pai: posso ter sofrido rompimentos, pode ter faltado palavras de amor lá no útero, posso não ter sido acolhida o suficiente, posso carregar um nome que não me favoreceu…Mas agora eu tenho novas sementes…são minhas e estão disponíveis…
O que tenho feito com as sementes disponíveis? Quanta percepção você já tem de você mesma, do seu passado q te influencia? Quanto da sua necessidade de conexão comigo mesma e com o outro foi suprida? Quantas conexões saudáveis você estabeleceu que te supre, te nutre e te embala nesse momento? Quem são suas fontes? Você tem revisitado o seu passado elaborando perdas e dores e perdoando quem te feriu? E quanto às expectativas que fizeram? O que fez com isso? O que o seu adulto convertido fez com isso?
Aqui é tempo de lembrar que o meu nome foi escolhido depois de semanas, mas isso não traça meu destino e nem determina o meu futuro. Posso hoje olhar para a minha bagagem, ver tudo, ver o que já não me serve mais, o que está pesando e eu posso (tenho o poder de decidir) ficar com aquilo ou jogar fora…Posso fazer e desenvolver conexões saudáveis a partir do encontro com o Salvador….eu não preciso mais viver sob o poder de uma palavra dita pelos meus pais ou cuidadores…
As sementes que eu recebi não são sementes quaisquer!!! São Sementes geradas a partir do grão de trigo que moído, caiu por terra e morreu, mas que ao ressurgir trouxe sementes capazes de produzir vida.
Hoje há outra Palavra sobre a minha e a sua vida!

Marisa Duarte

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