Filho mais novo

O FILHO MAIS NOVO

Introdução
Não vamos estudar novamente o livro de Henri. Vamos compartilhar nossas percepções, aquilo que faz sentido para cada uma de nós, dentro do que ele aborda na sua obra.
Vamos focar nos momentos em que Henri se dá a conhecer e nos processos que o levou ao lugar onde Deus estava.
Segundo ele, o encontro com a obra de Rembrandt “A volta do Filho pródigo” se tornou uma passagem misteriosa, que o levou a entrar no Reino de Deus. Os detalhes da pintura fez surgir uma longa aventura espiritual que o fez reavaliar sua vocação e lhe deu novo alento para vivê-la.
No centro da aventura está uma pintura do Séc. XVII e seu artista, uma parábola do primeiro século e seu autor, uma pessoa do século XX à procura do sentido da vida.
Henri fala assim aos seus leitores: “E, para vocês que vão fazer esta caminhada espiritual comigo, desejo e oro para que descubram dentro de cada um de vocês não somente o filho perdido de Deus, mas também a mãe e o pai compassivos que Deus é”.
O que me chamou a atenção nesta fala foi “caminhada espiritual”. Preciso entender o que ele quis dizer com esta expressão.
Ele também, “deseja e ora para descubramos dentro de cada uma de nós não somente o filho perdido de Deus, mas também a mãe e o pai compassivos que Deus é.”
Revi meus apontamentos sobre “espiritualidade cristã”:

Definições de espiritualidade cristã
Para o teólogo Russell Shedd “Espiritualidade significa a busca e a própria experiência da comunhão com Deus. À medida que alguém se aproxima de Deus, a espiritualidade torna-se mais intensa e real.”
Para Isabelle Ludovico “espiritualidade é a busca de maior intimidade e amizade com Deus. O coração quebrantado, a alma apegada ao Senhor, o encontro em silêncio com a face amorosa de Deus no secreto, a leitura meditativa das Escrituras e o mistério da comunhão com Deus no íntimo são dimensões da espiritualidade cristã que curam as feridas humanas.”
Para o Pr. Ed René “enquanto você não se abre de modo consciente para um relacionamento pessoal com Deus, o universo fica despido de significado.  ”Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”. Jo.4:23 e 24
Pensei que seria muito rico para todas nós se mais do que ouvir pudéssemos conversar sobre algumas falas do Henri.

Desenvolvimento
01 – Quando Henri fala de “jornada espiritual” do que ele está falando? De sua realidade exterior ou interior? Ele tinha algum tipo de crise com seu ministério? Suas inquietações nasciam onde? Ganhavam força onde?
Ele fala da sua relação com Deus de sua realidade interior; aparentemente ele não tinha crises ministeriais, pois era um professor renomado e um militante nas causas sociais. Creio que suas crises  nasciam no seu espírito(coração): ele se sentia sem um lar e bastante cansado. Suas crises ganharam força numa crise de depressão. pg.11, 12.
02 – Qual foi a contribuição que a obra de Rembrant deu a Henri na sua jornada espiritual?
A obra se tornou uma passagem misteriosa através da qual ele podia entrar no Reino de Deus. Levou-o à meditação. pg. 18, 22 e 23.
A meditação é um estado profundo de introspecção, que possui basicamente três estágios: concentração, contemplação e meditação.
A concentração é a etapa da coleta de dados, cuja palavra-chave é ATENÇÃO.
A contemplação é a fase da harmonização dos dados, cuja palavra-chave é ANÁLISE.
A meditação, dizem os mestres espirituais, que “meditar é parar de pensar” ou permanecer em quietude, sem reagir aos pensamentos, deixando que eles passem. A meditação transcende a análise. A palavra-chave é REVELAÇÃO.
A meditação abre a porta para realidades que transcendem a reflexão.
03 – O que Henri vê na Parábola do Filho Pródigo?
Ele se identifica na busca de significado para sua vida pg. 27,28e 30.
04 – Como ele se descobre na Parábola?
Fazendo perguntas honestas sobre seus sentimentos e motivações. pg.27, 28 e 30
05 – Quais eram as circunstâncias que Henri  vivia durante sua jornada espiritual relatada no livro?
Muitos compromissos e depois uma depressão. Pg.27 e 29
06 – Qual foi a grande revelação que Henri recebeu?
Durante sua estada n’O Amanhecer, ele foi conduzido a um lugar dentro dele mesmo onde ainda não estivera. É um recanto muito íntimo que Deus escolheu para fazer sua morada. Jesus diz: ”Se alguém me ama, guardará minha palavra e o  meu Pai o amará e a ele viremos e nele estabelecermos morada.” Habitar no lugar onde Deus fez a sua morada, este é o grande desafio espiritual. pg.25
07 – O que atraiu Henri para prosseguir na sua busca de sentido à vida?
Confiar que era Amado de Deus. pg.43
08 – Qual a maior dificuldade que Henri enfrentava quando se via como o filho mais jovem?
As vozes sinistras do mundo. pg.45, 46 e 48
09 – Qual é a conclusão que chega quanto ao seu retorno ao lar?
Sua jornada espiritual está cheia de culpa quanto ao passado e preocupações quanto ao futuro; e que não está preparado para crer que a Graça é maior que suas falhas. pg. 57 e 58.
10 – Porque Henri afirma que como filho Pródigo, seu arrependimento não era sincero?
Porque não foi à luz do amor de um Senhor misericordioso.  Ele continua vendo Deus como um Deus severo e julgador. Pg. 58.
11 – Para Henri, receber o perdão de Deus, é um dos grandes desafios da vida espiritual. Como ele justifica isso?
Nossa capacidade é comprometida pelo nosso apego aos nossos pecados, que nos impede de deixar Deus banir o nosso passado e nos oferecer um recomeçar inteiramente novo. Pg. 59.
12 – Qual caminho mais simples de voltar à casa e como percorrê-lo?
O caminho é o de se tornar um filho de Deus, pois Jesus aponta que o caminho para Deus é o mesmo que o para uma nova infância.  pg. 59 e 60.

Algumas considerações sobre a parábola do filho pródigo:
Jesus conta que o filho mais novo ao pedir a parte da sua herança, estava pedindo algo que não era possível. Era como se o filho estivesse dizendo: “quero que meu pai morra”. Na aldeia a loucura do filho mais novo se espalha. A vida dele acaba, pois a comunidade o rejeita pela humilhação que expôs seu pai.
Aí ele vai embora e passa a gastar sua herança irresponsavelmente. Ele se revela uma pessoa rebelde, ingrato, avarento e irresponsável.
Ele começa a colher as consequências das suas escolhas. A sua realidade passa a ser fracasso, fome e solidão.
Diante desse fundo do poço, o jovem chega a uma situação: ”caindo em si”. É o mesmo que acontece com todo mundo quando as coisas não dão certo na vida.
Neste ponto da parábola Jesus está começando a falar como Deus é, e age, em oposição ao pensamento dos religiosos que estão à sua volta. Ele explica  que o jovem pensa num plano para convencer seu pai a lhe ajudar. Quando o filho vivia com o pai ele buscou uma relação de autonomia, autossuficiência e distanciamento do pai. Agora não mudou muito. Sua situação está difícil e ele sabe que os recursos estão na mão do Pai. E ele tem certeza que seu pai nunca mais será seu pai. A relação fundamental de pai e filho acabou.
Agora só resta fazer um plano de ação. Tentar convencer o pai a fazer algo a seu favor. Admitir seu erro e ser aceito como empregado.
Mas o pai o surpreende. “Estando ainda longe o Pai o vê…” Aquele moço não podia voltar para aldeia pelo que fez com seu pai. Humilhou e envergonhou seu pai diante daquela comunidade. O pai em sua defesa, para seu benefício, está sempre vigiando por que o filho não tem como entrar na cidade.
Para o filho estava tudo certo, mas a recepção do pai é tão extravagante que o filho diz apenas: “ Pai perdoa, pequei contra os céus e contra ti, já não sou digno de ser chamado teu filho.” E a frase que era sua garantia, “aceita-me como a um dos seus empregados” ele não teve oportunidade de falar, por que o amor do Pai é mais poderoso que os planos humanos.
E o Pai vai dizer mais: vista a melhor roupa, a roupa do pai; coloquem o anel, o anel com o nome do pai, que significa liberdade; e coloquem calçados, que significa que o filho terá servos à sua disposição.
Por último uma ordem para celebrar: “Tragam o novilho gordo e matem-no. Vamos fazer uma festa e alegrar-nos.” O pai traz toda a aldeia para se alegrar com ele. Seu filho estava morto e voltou a vida, estava perdido e foi achado.
Jesus estava ensinando que a única maneira de entrar em sintonia com o que Deus deseja é entender que o único combustível que produz a vida que agrada a Ele é a Graça bendita do Pai.

Joana D’arc   (do livro “A Volta do Filho Pródigo” – Henri Nouwen)

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