Ela é disciplinada

Hoje, nós, mulheres, somos mais respeitadas nas nossas conquistas, produzimos mais, estamos inseridas em diversos campos, temos maior visibilidade do que a geração passada, mas tem aspectos aparentemente simples nas nossas vidas que ainda não conseguimos organizar, como, por exemplo, a nossa agenda.  Algo está sempre por fazer, algo está sempre faltando, o tempo nunca é suficiente – a gente vive essa “falta de tempo”. E dentro disso, temos a sensação de não sermos disciplinadas o suficiente, cobramos a nós mesmas, estamos estressadas e apressadas.

Ou, por outro lado, se não somos assim, se temos tempo de sobra, a maioria de nós, da mesma forma, não consegue se organizar de maneira a gastar a vida com aqueles ou naquilo que é realmente o essencial.

A princípio, ao começar a pensar sobre esse tema: “Ela é disciplinada”, comecei a fazer perguntas como: A disciplina é aprendida? É uma qualidade a ser desenvolvida? É processual e contínua? Nascemos daquele jeito? Aprendemos pelo caminho?  É um hábito?  É difícil pra todo mundo? Como as pessoas têm lidado com isso?

Mas quando percebi que disciplina tem a mesma etimologia/raiz da palavra discípulo, então, essas perguntas se dissolveram. Na verdade, essas duas palavras (discípulo e disciplina) estão intimamente relacionadas. As duas falam de propósito. E comecei a pensar no propósito da disciplina e entendi que o propósito da disciplina seria ajudar-me a ser quem eu sou, quem Deus quer que eu seja, a partir do momento que ouço a voz, sigo e conheço Aquele que está por trás do meu chamado para ser discípula.

O mundo em suas diversas áreas faz para ser, faz para se tornar. No Reino de Deus somos para fazer. Fazer parte de uma igreja há anos, desenvolver atividades em uma igreja, ter uma função na minha comunidade não faz de mim uma discípula; não me transforma em discípula e nem faz de mim uma mulher disciplinada.

Mas ser uma discí-pula, ser uma mulher disci-plinada parte do fato de eu saber que há um propósito para que eu o cumpra, há um caminho para que eu o percorra, há um lugar para que eu chegue, há uma vida para que eu viva. Sou, por isso faço. Sou por isso vivo.

Poderíamos falar de disciplina simplesmente como um comportamento, um hábito, algo que posso mudar com meu esforço. Mas a disciplina, que Deus quer nos ensinar, fala de algo mais profundo, ela está relacionada a chamado, vocação, ela anda junto com o discipulado: uma voz que fala comigo, que me chama e à qual eu respondo. Disciplina fala de desestruturar o que me sustenta para que eu aprenda uma nova forma de viver e morrer, de perder e ganhar, de receber e entregar. Mudança interna, feita de dentro para fora.

Textos que ensinam o que é e como ser discípula, para que assim eu seja disciplinada:

Isaías 50: 4: “…pela manhã desperta-me o ouvido para que eu ouça como discípulo…”

Desperta-me: alguém começa um processo em mim. Uma voz… Há uma voz que fala, fala comigo e é de tal forma e com tal intensidade que é capaz de me “acordar”. Acordar para que eu ouça como discípula, como aquela que é disciplinada… Voz que me tira do meu lugar seguro, desse lugar que se dorme, das minhas proteções e me expõe a quem eu preciso ser exposta: a mim mesma e ao dono dessa Voz: Jesus.

E então eu posso ser quem eu preciso ser, eu posso andar onde eu preciso andar e eu posso fazer o que eu preciso fazer.

Provérbios 23:12  “…dedique o seu coração à disciplina …”: disciplina o seu coração. Submeta…permita…

Como o coração pode ser disciplinado? Como esse processo que começou com uma Voz que fala ao meu ouvido, que fala comigo, como ele continua?

O nosso coração vai sendo disciplinado à medida que conhecemos o caminho da submissão, da entrega, da obediência ao Mestre: “deixa tudo e segue-me…” é assim que Jesus fala.

E é assim eu aprendo. Aprendo a deixar meu livro em favor de uma brincadeira com o meus filhos… deixo atividades (ou o ativismo) que me sustenta para conhecer o desequilíbrio que os enfrentamentos provocam…deixo minha agitação para que meu problema físico seja revelado e tratado…deixo minha resistência para que minhas questões emocionais sejam expostas, enfrentadas e assim eu seja restaurada…

E assim eu vou deixando tudo e seguindo… Não basta deixar tudo, é preciso seguir… e vou, então, fazendo o caminho de Jesus na minha e para a minha vida, andando por onde Ele andar, porque Ele vai a minha frente…Ele vai à frente de toda aquela que Ele chamou.

Se você quer ser uma mulher disciplinada, uma mulher que teme ao Senhor, uma mulher virtuosa, não há outro lugar para que se aprenda, não há outra voz para que se ouça, não há outro Mestre a quem seguir: só Jesus. Ele é o nosso modelo. Beba da Fonte. Ele nos chama à maturidade.

Sendo discípula, você aprenderá o segredo de ser disciplinada. E a mudança nos seus hábitos, comportamentos, atitudes serão consequência da sua mudança interior.

Marisa Duarte       (Palavra ministrada no Encontro “Mulher V” em Uberlândia – 2012)

http://www.encontrosecaminhos.com

 

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