Visão das águas que curam

Ezequiel 47
 
Ezequiel, filho de sacerdote, mas comissionado a ser profeta no meio do seu povo, foi despertado por Deus para enxergar a profanação que havia no templo, e quão corrompida e distante estava a vivência do povo com Jeová. Deus convida Ezequiel a percorrer todos os átrios, a atentar para as diversas medidas, para o estado das várias portas, a observar os lugares designados  mais santos, onde se exercia a adoração.
Depois de discernir essa realidade, o Espírito de Deus descortina diante do profeta o  recurso divino capaz de transformar este ambiente profanado em um lugar de vida, a vida de Deus.
Então Ezequiel inicia um novo percurso:  o percurso das águas purificadoras. Águas saudáveis que saíam do limiar do templo, circundando o altar, e seguindo uma direção definida: o Mar Morto, lugar que se tornou habitação mórbida de muitos seres viventes. Por causas das águas saudáveis, a vida do Mar Morto adquirirá equilíbrio: alimentação adequada, espaço suficiente, equilíbrio ecológico.
Para acompanhar o profeta nesse percurso, um homem se apresenta com um cordel de medir, personificação do Deus soberano. Torna-se estranho para nós o cordel de medida, pois tudo o que nos limita não é desejado por nós.
O profeta é convidado a perceber o significado dessas medidas de mil côvados, a profundidade de cada uma, e o porque se torna imprescindível caminhar e passar por cada uma delas.

Assim como Deus convidou o profeta, nós também somos convidados a analisar esse percurso para que nossa vida seja purificada pela lavagem dessas águas e possa transformar o ambiente do Mar Morto.
1ª medida:  mil côvados – Águas pelos artelhos. São pés cobertos por águas, graça de Deus que nos faz andar numa nova direção. Graça de Deus que nos faz parar e tomar um novo rumo. Graça de Deus que nos faz ter passos firmes, fundamentados nessa água viva que sai do limiar do trono de Deus. Os pés movimentam o corpo para uma direção, que é o Mar Morto – um mundo sem Deus. Se essas águas não nos tocar, nossa vida não alterará a situação do ambiente, ao contrário, continuaremos apenas mais um ser vivente.
2ª medida: mais mil côvados – Águas pelos joelhos. É mudança de atitudes, passando a viver como adorador, com os joelhos sendo constantemente molhados pela graça de Deus. Vida com sentido de culto, de reverência em reconhecimento de Jesus como Deus e Senhor. Essas águas trazem firmeza aos joelhos para não se  dobrarem a outros deuses, elas trazem aos joelhos posicionamento de adorador. Essas águas tiram-nos do comodismo de estarmos sentados e levantam-nos para interceder, para clamar “até que se derrame o Espírito lá do alto”.
Substituímos as murmurações pela gratidão, as lamentações por elogios, os hábitos nocivos por gestos nobres e humanos. As atitudes de oração e adoração restauram a alma à finalidade para a qual foi criada. Porém é preciso avançar para a próxima medida, senão a nossa vida terá uma devoção apenas contemplativa do mundo espiritual.
3ª medida: mais mil côvados – Águas pelos lombos.  É o desvencilhar dos pesos e fardos mortos da vida, como: roubo afetivo ou material, caráter pervertido, conduta enganosa, oportunismo, interesses escusos, religiosidade, materialismo. Se não ocorrer esse nível de libertação, não poderemos usufruir a verdadeira mudança, e não seremos úteis e  capazes de provocar alterações no ambiente do “mar morto”. Os pesos impedem a pessoa de mover-se em direção de uma relação de profunda liberdade com Deus, e  deixam a experiência do evangelho adoecida, comprometendo a evangelização do mundo. Como oraremos por nações, se não estamos suportando o peso do nosso próprio corpo, o peso da nossa história, o peso da nossa realidade?
Quando essas águas levam o peso dos nossos ombros a nossa fala muda, os nossos olhos vêem a vida com novas perspectivas,  os nossos valores alteram. Essa terceira medida traz libertação, e é o início da cura da alma.
4ª medida: mais mil côvados – Águas profundas. É intimidade com Deus, é soltar o peso e conhecer as profundezas da pessoa de Deus. Vivenciar a plenitude do poder que há na Sua Palavra. Não existe graça divorciada da Palavra. Permitir-se ser controlado pela soberania de um Deus que reina a partir dos céus. (Daniel 4: 17, 26, 34, 35).
Esta quarta medida é o envolvimento completo da vida de Jesus em nossa vivência, capacitando-nos a enfrentar a morte. Precisamos dessas águas da graça que leva o baú de antiguidades rio afora, e nos faz ter a mesma visão que foi dada ao profeta. É a experiência de ver o mundo a partir do céu. É mais do que experimentar o sobrenatural. É vivenciar o “natural” de Deus.
É a partir dessa medida que a Igreja está pronta para entrar no Mar Morto. É nesse desenvolver da vida que nossa influência se torna curadora na vida dos outros.
O Rio da graça saiu do trono e vai dar no Mar Morto. É para lá que a graça vai, e, se a Igreja não for, ela vai assim mesmo, porque é o curso do rio de Deus.
A visão da cura do Mar Morto acontece a partir da existência da Igreja de Cristo que  vive às margens dessas águas, que já passou pelo processo dos quatro mil côvados.  Isso significa estar totalmente curado da  culpa do pecado, significa estar ligado à missão de Cristo: Salvação, Justificação e Santificação. O sangue de Jesus é o fluxo que atravessa a história, possuidor do poder para a cura da existência pessoal, nacional e mundial.
A vida daquele que foi tratado pelas águas do Rio de Deus passa a ser simbolizada por uma árvore, cujas folhas fazem sombras e servem para remédio e cujos frutos alimentam.

“E viverá tudo por onde quer que esse Rio passar.”   

 Lucinete Oliveira

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