Onde está o Cordeiro?

 

Gênesis é um livro que fala muito sobre alianças. Abraão e sua família foram pessoas a quem Deus buscou para fazer alianças; eles experimentaram Deus, conheceram Sua presença, viveram seus milagres e suas promessas.

Gênesis 22: 1-19 traz uma dessas histórias.

Isaque nasceu. Ismael e Hagar, sua mãe, foram para o deserto… A vida corria rápida… até que um dia, ela parou. Isaque, a promessa cumprida, foi pedido como sacrifício no altar.

Após esse evento, Abraão e sua família “…partiram para Berseba, onde passaram a viver.” Isso fala de mudança. Mudança essa motivada, inicialmente, por um evento inesperado, um evento de Deus. Esse evento os pegou de surpresa? Sim, mas foi de Deus.

Mas na verdade, para essa mudança Abraão foi motivado por algo muito mais forte, algo transformador, por algo que se torna parte dele, interior. Não foi o levar seu filho para ser sacrificado, não foi um desejo, um incômodo, um pedido doce de Sara, não foi uma sugestão do seu vizinho Abimeleque. Não foi nada disso.

O que terá acontecido na vida daquela família que os levou a dizer: “Esse não é mais o nosso lugar?”

Lugar está relacionado com quem somos, com identidade. Lugar fala de segurança. Lugar tem também relação com propósito, e por isso não depende se é agradável ou não estar aqui ou ali, se é confortável ou não passar por essa ou aquela situação, mas tem a ver com a maneira que tenho sido e vivido no lugar onde estou.

A mudança que aconteceu dentro deles como indivíduos e como família não os permitia mais viver onde estavam. A questão não era o lugar físico, mas se Deus já havia cumprido o propósito d’Ele para aquela família naquele lugar.

Pense agora nos seus lugares, quem você é neles, e como você vive: casa, trabalho, igreja, escola, comunidade. Mulher, mãe, filha, irmã, patroa, empregada, gerente, líder, liderado, estudante, pastora, membro da igreja.

Onde você tem estado? Quem você é? Em que está ancorada a sua identidade?

Se não pudesse mais usar palavras como ministério, liderança, pastorado, igreja, maternidade, diploma, você continuaria, no seu coração, e no exercício, ensinando vidas, pastoreando almas, dispondo do seu tempo?

Se você não tivesse filhos da sua barriga e seus filhos viessem por outros meios, você seria mãe da mesma forma, na mesma intensidade?

Se não se pudesse mais reunir como igreja, você continuaria uma pessoa de fé?

Dependendo das respostas que você se deu, talvez comece a acontecer eventos promotores de mudanças também na sua vida, como aconteceu na de Abraão.

Vamos aos eventos motivadores das mudanças na família de Abraão e dentro disso vamos pensar sobre obediência.

Sacrifício é um ato. Sacrifício é o fruto da obediência. Obediência é um caminho, é vida, processo. “A obediência é o caminho da liberdade”, a liberdade de ser quem você é, quem Deus quer que você seja, liberdade de viver no seu lugar para cumprir os propósitos d’Ele.

A obediência só acontece quando conhecemos e confiamos no caráter de Deus, a ponto de, se preciso for e requerido por Ele, entregarmos aquilo que nos é precioso.

Obediência está diretamente ligada a adoração. A primeira vez que a palavra adoração aparece na bíblia é nesse texto, no versículo cinco.

No caminho da obediência Abraão tem a direção dos seus olhos mudada. Ele levanta o seu olhar e, ao erguê-lo, ele vê o Cordeiro (versículo 13). Se ele ergueu os seus olhos, onde eles estavam antes? O que ele havia conseguido enxergar até agora? Faltava obediência a Abraão?  Não! A obediência era imprescindível? Sim! Mas não bastava. Era preciso mais, era preciso visão, encontro, revelação, adoração.  Não há adoração sem visão do Cordeiro.

Será que aquele cordeiro não esteve ali o tempo todo?

Muitas vezes na nossa tentativa de obedecer, de conseguir, de chegar lá, nós perdemos o foco, perdemos o essencial, perdemos a presença daquele a quem devemos adorar. Preparamos tudo, temos todas as ferramentas necessárias: a faca, a brasa, pessoas para irem conosco, o próprio sacrifício, a lenha, o jumento, subimos o monte… Mas se o Cordeiro não estiver sendo adorado, essas coisas são só enfeites.

Talvez, algumas vezes, você se sinta “fora do lugar”. Mas, você sabe se está no lugar certo, sendo quem Deus quer que você seja, não pelas ferramentas que você usa, pelos dons que você tem, pelas suas capacidades e habilidades, nem mesmo pela sua obediência, mas pela presença do Cordeiro na sua vida e pela adoração que você lhe presta.

As ferramentas são importantes, mas não é a prioridade de Deus – Deus prioriza o Cordeiro, o Pai prioriza o Filho. A maior revelação de Deus para nós é Jesus – o Verbo que se tornou carne e veio viver entre e dentro de nós. O resultado da adoração é a mudança na nossa vida e da nossa vida. Adoração implica em ouvir a voz daquele que fala.  Adoração implica em reconhecer a santidade de Deus e em nos vermos incluídos nela. Não é só contemplação, é sermos parte.

Aqui está a verdadeira motivação de Abraão e sua família: a visão do Cordeiro. Que seja a sua e a minha!

Marisa Duarte

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s