Teologia do NT – Os evangelhos

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO   –   OS EVANGELHOS:

MATEUS Judeus Rei Leão Guerra
MARCOS Romanos Servo Boi Serviço
LUCAS Gregos Homem Homem Rosto no chão
JOÃO Igreja Filho de Deus Águia Lugares altos

Os Evangelhos  Sinóticos são:  Mateus, Marcos e Lucas(Apresentam uma tal semelhança, que, entre eles se pode fazer um paralelo)

Semelhanças e diferenças:   (dados aproximados)

Mateus                              Marcos                     Lucas
330     . . . . . . . . . . . .        330    . . . . . . . .         330      = Versículos idênticos nos três evang
178    . . . . . . . . . . . . .        178  . . . . . . . .                X      = Comuns em Mt e Mc, e não tem em Lc
X       . . . . . . . . . . . .           100  . . . . . . . .           100      =  Vers. Comuns em Mc e Lc, e não em Jo
230     .  . . . . . . . . . . .             X     . . . . . . . .       230     =  Comuns em Mt e Lc  e não em Mc
330      . . . . . . . . . . .               X      . . . . . . .            X      =  Vers. que só existem em Mateus
X . . . . . .  . . . .                        53  . . . . . . . . .            X      =  Só existem em Marcos
X       . . . . . . . . . .  .                 X     . . . . . . . ..        500    =  Só existem em Lucas

O fato de haver 330 versículos idênticos nos evangelhos sinóticos, e mais outros muito semelhantes leva os estudiosos a entenderem que um evangelista usou material do outro nos seus relatos, como Lucas mesmo diz no inicio do seu evangelho:  “Muitos já fizeram relatos do que aconteceu… eu ordenei  os fatos…para que tenhas a certeza do que te foi ensinado.”
Apesar das grandes semelhanças da mesma história, os três evangelhos  foram canonizados (considerados escrituras sagradas). O que justifica é a destinação para povos diferentes. Eles contaram a mesma história, focando fatos, com vistas à necessidade e conforme a cultura de cada destinatário.

A TEOLOGIA DE JOÃO

ESTRUTURA DO LIVRO:

AUTORIA:  João, o apóstolo (21.24). Seu nome significa “graça de Deus”. Era judeu, pescador (Mt.4.21), irmão de Tiago, filho de Zebedeu e Salomé (Compare Mt.27.56 e Mc.15.40). Foi chamado de discípulo amado. São várias as citações a respeito de João nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas. Seu nome é omitido no seu evangelho (20.2; 19.26; 13.23; 21.2). Encontram-se referências ao apóstolo também em At.4.13; 5.33,40; 8.14; Gl.2.9; 2 Jo.1; 3 Jo.1; Apc.1.1,4,9. Na segunda e na terceira epístola, ele se apresenta como “o presbítero”. Podendo se apresentar como apóstolo, demonstrou humildade ao utilizar título mais simples. Em Apocalipse, apresenta-se como “servo”.

 OBJETIVO – João escreveu para que pudéssemos crer em Cristo e ter vida. O conhecimento conduz à fé em Cristo e este produz vida espiritual e eterna naquele que crê (20.31). Secundariamente, João parecia estar interessado em combater o gnosticismo. Os gnósticos pregavam a total separação entre Deus e a matéria. Diziam que a matéria era má. A partir desse raciocínio, uns reprimiam os desejos físicos, outros os liberavam. Eles negavam a humanidade de Cristo, a encarnação e a ressurreição. A salvação, de acordo com os gnósticos, seria consequência do conhecimento. Criam em anjos e outros seres intermediários para se chegar a Deus. João toma a questão do conhecimento ligado à salvação. Contudo, fala do conhecimento de Deus através do verbo encarnado, Cristo (17.3).

DESTINATÁRIOS – João escreve para o mundo (João 3.16). A palavra “mundo” aparece várias vezes no livro. Nota-se que ele pensa nos não judeus ao dizer “festa dos judeus” – 5.1; 6.4; 2.13; 18.28. Explica o significado de “rabi” e “Messias” (1.38,41), e fala sobre a oposição entre judeus e samaritanos: 4.9. Tudo isso seria desnecessário se seus destinatários fossem especificamente os judeus.

 TEXTO CHAVE – 20.31 – “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo tenhais vida em seu nome.”

PALAVRA CHAVE – crer
Em João, a revelação da personalidade divina do Salvador que aparece por toda a parte em primeiro plano; aqui nada de parábolas do Reino, mas duas parábolas-alegoricas (o bom pastor e a vinha) relativas a esta revelação. O argumento principal do quarto evangelho, é , com efeito, este: que o Filho de Deus encarnado foi enviado pelo Pai aos homens para lhes revelar e lhes comunicar as riquezas misteriosas da vida divina.

 
RELAÇÃO DE JOÃO COM JESUS :
A relação de Jesus com as pessoas se dava em vários níveis: Ele falava a grandes multidões. Dentre estas, ele separou 82 discípulos (Lc.6.13 – menciona os 12; 10.1 menciona outros 70), muitos dos quais abandonam-no depois (João 6.66). Entre os 82, 12 eram especiais. Tinham uma missão especial. Entre os 12, 11 se destacavam por sua sinceridade.
Dentre os três, João tinha o mais íntimo relacionamento com o Mestre.
-Foi chamado de “o discípulo a quem Jesus amava”. Durante a última ceia, reclinou-se no peito do Senhor (13.25)
-Ouviu e registrou a oração sacerdotal de Jesus (17).
-Foi o 1o a voltar para o acompanhar o Mestre após a sua prisão.
-Assiste o julgamento e a crucificação de Cristo (João 18.16; 19.26).
-Recebe a incumbência de cuidar da mãe de Jesus (João 19.27).
-Foi o 1o discípulo a chegar ao túmulo após a ressurreição (João 20.4).

Devido à sua proximidade constante com o Mestre, alguns relatos do seu evangelho são exclusivos. Em alguns momentos, só ele viu, só ele ouviu, só ele teve informações para escrever.
Seu exemplo deve nos servir como estímulo para uma comunhão íntima com o Senhor, condição essencial para que recebamos suas revelações. Afinal, “revelação” é o significado de “Apocalipse”. E quem poderia tê-lo escrito, senão o próprio João?

APRESENTAÇÃO DE JESUS NO EVANGELHO DE JOÃO:
Jesus é apresentado no quarto evangelho como Filho de Deus. Tal título vai além de Filho de Davi ou Filho do Homem.
Cada evangelho apresenta uma verdade acerca do Senhor e pode também significar pontos de vista que se possa ter sobre sua pessoa. Porém, nenhuma ideia a seu respeito será completa até que ele seja reconhecido como Deus e como Senhor.
O Cristo do quarto evangelho não é essencialmente diferente do Cristo dos sinóticos. Certamente, João sublinha a divindade de Cristo muito mais vigorosamente do que seus precursores.
João enfatiza a pessoa de Cristo e não seus milagres, parábolas ou ensinamentos.
João apresenta Jesus de uma forma bastante rica e diversificada. Utiliza figuras de linguagem, busca conceitos importantes para os filósofos da sua época e também linguagem teológica, o que seria bastante significativo para os judeus. Vemos assim a diversidade de destinatários que o livro alcança. Apresentamos os termos associados à pessoa de Cristo separando por sentido figurado e sentido literal. É interessante que analisemos tudo isso separadamente, apesar de que, em alguns casos, fica difícil dizer a que classe determinado termo pertence.

Apresentação figurada ou conceitual – Ao utilizar termos diversos para se referir a Cristo, o evangelho vai ampliando a revelação cristológica. Isso vai, ao mesmo tempo, aumentando o entendimento de alguns e servindo de choque para outros. (Observe João 6.51-66). Na maioria das vezes, João apresenta Jesus através da citação das próprias palavras do Mestre iniciadas pela declaração “Eu sou” (João 4.26; 8.24,28,58; 18.6). Tal expressão, que nos lembra o nome de Deus dito a Moisés (Êx.3.14), aparece diversas vezes no evangelho. Isto tem sido entendido como um indicativo da divindade de Jesus, que vai se apresentando através de palavras que expressam o suprimento de toda necessidade do ser humano.
Ele fala de conceitos simples, como pão, porta, pastor, e também de conceitos filosóficos como a verdade e a vida. Ele vai tomando ideias já conhecidas e dando-lhes um novo sentido, uma nova aplicação e, em alguns casos, mostrando que ele é o único sentido real para ideias discutidas inutilmente pelos sábios da época. Isso foi um escândalo para muitas pessoas, como não poderia deixar de ser.
João é o mais teológico dos evangelhos, ele tinha uma maneira distinta de expor a vida de Jesus e expressar conceitos teológicos. Tanto no evangelho, como nas epístolas(cartas) ele ensina por contraste. Para enterdermos o evangelho de João, precisamos entender como ele usava esses termos-chaves /dualismo, tanto no evangelho, como nas epístolas. Termos emparelhados (dualismo) usados com frequência: vida/mote; luz/trevas, amor/ódio; crença/descrença, e outros.

* Jesus usou símbolos ligados à expressão EU SOU… para mostrar o que Ele é para a humanidade. Ele é o próprio Deus.
Eu sou…
Imagens simbólicas que Jesus usa para descrever a si mesmo, Eu Sou o pão da vida; Eu Sou a Luz do mundo; Eu Sou o bom Pastor; Eu sou a videira verdadeira; Eu sou o caminho, a verdade e a vida…

TERMO

SENTIDO

REFERÊNC:
Pão Provisão de necessidades, satisfação para a alma. à Jesus nos sustém diariamente     6.35,48,51
Luz Conhecimento. Jesus penetra a nossa alma nos levando à Luz     8.12
Porta Acesso ao Pai, oportunidade, solução, refúgio, saída. Jesus é a única porta segura     10.7
Pastor Orientação, cuidado. Jesus se importa c/ suas ovelhas a ponto de dar sua vida p/elas     10.11
Ressurr Esperança, nova vida à Jesus nos dá um corpo incorruptível     11.25
Vida Novo nascimento, vida espiritual; vida eterna. à Jesus nos dá vida eterna     11.25; 14.6.
Videira Compromisso, comunhão, nossa dependência em relação a Cristo, vida cristã produtiva, crescimento. à Quando a vida de Jesus flui em nós somos frutíferos     15.1
Caminho Desenvolvimento, progresso à Jesus é o único caminho de volta  ao Pai     14.6
Verdade Oposição à mentira. Jesus é a verdade. Conhecemos a verdade andando c/ Ele.     14.6

 
Apresentação literal:

Verbo – Logos – a palavra – Esta expressão fazia sentido tanto para judeus quanto para gregos e cristãos, embora seu significado fosse um pouco diferente ou muito diferente dependendo do destinatário. De qualquer forma, João utiliza o termo centralizando-o na pessoa de Cristo, eliminando assim qualquer entendimento distorcido que o mesmo poderia ter (João 1.1). Observe-se a importância de uma introdução que chama a atenção de vários tipos de leitores, criando interesse para o exame da obra.

Messias – 1.41; 4.29; 11.27; 20.31

Filho do Homem – 3.14; 5.27; 3.13; 9.35; 12.23,34 – João aborda a natureza humana de Cristo, embora este não fosse seu principal objetivo. Ele mostra que o homem Jesus nasceu, viveu na Palestina, bebia água (João 4), se alimentava (João 4), sofreu e morreu (João 19).

Filho de Deus – 1.14,18,34,49 ; 3.16; 19.7; 5.19-29; 11.27;

Jesus é apresentado como Deus (1.1; 20.28; 5.18; I Jo.5.20) – e nos torna filhos de Deus (1.12). Mateus apresentou o divino Rei-Messias. Marcos apresentou o divino servo. Lucas escreveu sobre o divino homem. João foi o mais ousado. Apresentou Jesus como sendo o próprio Deus (João 1.1,18; 10.30,38; 14.10,11; 17.21). Jesus é então mostrado como “objeto de fé”, ou seja, aquele em quem devemos depositar a nossa fé (João 3.16), pois é o próprio Deus.

PALAVRAS E TEMAS EM DESTAQUE:
O Reino: Anúncio do Reino, tema fundamental da pregação de Jesus nos sinóticos, não aparece em João senão uma ou duas vezes: 3:3-5 e também 18:36.
Ele é substituído pelo tema da vida, conhecido aliás já dos sinóticos que estabelecem a equivalência entre “entrar no Reino”  e “entrar na vida” (Mc.9:43  10:17  Mt.18:3  19:17  Lc.18:29-30).
A igreja – é referenciada mas não por este nome. Podemos vê-la no evangelho representada pelo rebanho do Bom Pastor (cap.10), pela videira (cap.15) e pelos próprios discípulos.

Amor – É de João a célebre declaração: “Deus é amor” – I Jo.4.8. É também de sua autoria aquele que, provavelmente, seja o mais conhecido versículo sobre o amor de Deus: Jo.3.16.
O “amor” é um dos temas preferidos do discípulo. Ele fala do amor apesar das perseguições da época e sua prisão em Patmos.
O amor estabelece as relações entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo e também deve ser a base da relação entre os discípulos, ou seja é a base para a igreja. Outros elementos podem estabelecer relações humanas ou com Deus: medo, sentimento de dever, etc. Contudo, o amor é o vínculo desejável. (Jo 13.1,34; 14.21,23,24; 16.27; 21.15-17).
O amor não é algo que flui naturalmente no coração do ser humano, precisamos ter um relacionamento com Jesus e assim conhecermos o que verdadeiramente é o amor incondicional.

Comunhão– É também um tema importantíssimo para João no evangelho, assim como na primeira epístola (João 14.11; 15.4,12; 17.21; I Jo.1.3,6,7). A comunhão ocorre basicamente em 3 níveis:
Comunhão celestial: Comunhão entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Comunhão individual com Deus: Ligação entre o céu e a terra; Comunhão entre os discípulos e a trindade, tendo Cristo como elo de ligação..
Comunhão fraternal simbolizando a Igreja (Corpo de Cristo): Comunhão dos discípulos entre si, tendo Cristo como elo de ligação.

Luz – Jo.15-10; 3.19-21; 8.12; I Jo.1.9

João explora a contraposição de conceitos, luz x trevas e outros, conforme se vê no quadro a seguir. Em outras palavras, ele está confrontando a nova realidade da vida em Cristo com o estado pecaminoso do homem.

CONCEITO POSITIVO CONCEITO NEGATIVO ALGUMAS REFERÊNCIAS
Luz (8x) = revelação       Trevas (4x)   João 3.19; I João 1.9
Verdade (17x) – quando está em harmonia com a Palavra de Deus       Mentira (2x)   João 8.32,44;14.6,17;17.17;18.37.
Vida (15x) à recebemos vida quando cremos em Jesus       Morte (6x)   João 11.25
Fé (crer e derivados: 11x) à expressa fé por meio da obediência e amaor ao próximo.       Incredulidade   João 3.16,18

Outros temas:
Novo nascimento – 3.3,5 e 1.12
Conhecimento – 8.55; 14.17; 17.3,7,8,23,25,26
Glória – 1.14; 5.44; 7.18; 8.54; 11.4,40; 17.1,4,5
Obra – 4.34; 5.36; 6.28,29; 8.39; 9.3; 10.25,32,37,38
Sinal – 2.11,18,23; 3.2; 4.48,54; 6.2,14; 9.16
Juízo – 5.22,24,30; 7.24; 8.10,15,26; 12.47-48; 16.8,10,11.
Consolador – João enfatiza mais que os outros evang a pessoa do Esp S. e a trindade como um todo. (7.39; 14.16-17,26; 16.7,8).
 

JOÃO E OS SINÓTICOS:
Alguns Fatos exclusivos – 14 a 17 – discurso no cenáculo. Sem parábolas, sem profecias escatológicas.
Discursos diferentes dos sinóticos. Vinculados aos milagres, explicando-lhes o sentido espiritual.
Os milagres: São relatados oito, sendo seis exclusivos.
Os não exclusivos: Multiplicação dos pães e o andar sobre as águas.
Os exclusivos: transformação da água em vinho, a cura do filho do centurião, a cura do homem que estava enfermo há 38 anos, a cura do cego de nascença, a ressurreição de Lázaro, a pesca maravilhosa.
 
Material só encontrado no Quarto Evangelho (João) e não nos Evangelhos Sinóticos (Mt, Mc, Lc)
. Prólogo (1:1-18)
. Casamento em Caná da Galileia (2:1-12)
. Dialogo com Nicodemos (2:23.3:21)
. Conversa com uma mulher samaritana (4:1-42)
. Cura de um Homem no Poço de Bethesda (5:1-18)
. Novos Detalhes sobre a Alimentação de 5000 (6:1b, 3-6, 8-9, 12b, 14-15)
. Discurso sobre o Pão da Vida (6:22-65)
. [Uma mulher pega em Adultério (7:53.8:11)]
. Dando Visão a um Homem cego de Nascença (9:1-41)
. A ressurreição de Lázaro (11:1-44)
. Lavando os Pés dos Discípulos (13:1-20)
. Na última Ceia Discursa sobre “a vinda do Espírito Santo” e “a Videira e os Ramos” (13:31.16:33)
. O “Discípulo a Quem Jesus amava” (13:23-25; 19:26-27; 20:2-10; 21:7, 20-24; cf. 18:15-16?)
. A Grande Oração Sacerdotal de Jesus (17:1-26)
. Novos Detalhes sobre a Crucificação (19:20-24, 26-28, 30-37, 39)
. Aparecimento ressurreto a Maria Madalena sozinha (20:11-18; cf. Mt 28:9)
. Aparecimento ressurreto a Tomé (20:24-29)
. Aparecimento ressurreto no Mar da Galiléia (21:1-25; cf. Lucas 5:1-11).
O evangelho de João completa os sinóticos. Quando o quarto evangelho foi escrito, os outros já deveriam estar circulando há muito tempo entre os cristãos, sendo, naturalmente, do conhecimento do apóstolo João, o qual não achou necessário repetir o que os outros já tinham escrito. Por isso, seu evangelho vem acrescentar o que faltava nos demais. Os trechos que constituem repetições de conteúdo são poucos e, quando ocorrem, vêm seguidos de um discurso de Cristo que os outros escritores não haviam relatado.

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